Região Matas de Rondônia conquista sucesso na produção de café especial e sustentável no Brasil
A região Matas de Rondônia, situada entre o cenário amazônico e o cerrado é responsável por 75% da produção de café do estado, contribuindo para a conquista de Rondônia no 1º lugar em produção de café da Região Norte e no bioma amazônico; e do 5º lugar no Brasil. Produz um tipo de café único no mundo, cultivado com práticas agrícolas sustentáveis. A produção recebeu, em 2021, o Selo Indicação Geográfica (IG), do tipo denominação de Origem (DO), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É o reconhecimento do sabor, qualidade e sustentabilidade do café das Matas de Rondônia.
O café produzido nas Matas de Rondônia é da espécie canéfora e é conhecido como ‘Robustas Amazônicos’, que se dá bem com o calor e altitudes menores do estado, ao contrário do arábica, outra variedade existente no Brasil, que se desenvolve em regiões com temperaturas mais baixas e montanhosas. O Robustas Amazônico é um café mais encorpado, doce, com sabor achocolatado e frutado, com toque de caramelo e floral. Carrega em si o ‘terroir amazônico’, combinações que revelam a riqueza e identidade da floresta amazônica.
A região Matas de Rondônia abrange 15 municípios localizados na região do Café, Vale do Guaporé e Zona da Mata do estado, estendendo-se por Alta Floresta d’Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Alvorada do Oeste, Cacoal, Castanheiras, Espigão d’Oeste, Ministro Andreazza, Nova Brasilândia d’Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Primavera de Rondônia, Rolim de Moura, Santa Luzia d’Oeste, São Felipe d’Oeste, São Miguel do Guaporé e Seringueiras. Contempla, também, seis reservas indígenas.
Segundo estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apenas 0,8% (34,4 mil hectares) da área das Matas de Rondônia são ocupadas por cafezais, porém altamente produtivos, denominados de poupa-terra e, bastante frutíferos. Há muita floresta nativa no entorno (52% da área, sendo que 56% dela está em Terras Indígenas), o que faz jus ao nome ‘‘Matas de Rondônia’’. Além disso, a maioria dos estabelecimentos produtores de café foram classificados como de agricultura familiar, ou seja, é cultivado em pequenas propriedades.
CULTIVO FAVORÁVEL
O solo da região tem boa aptidão para fornecer nutrientes e a água para sustentar as lavouras, nutrindo os pés de café mesmo nos dias quentes. O relevo plano favorece a adoção de mecanização, o que ajuda a usar maquinários e tecnologias para dar precisão na adubação, irrigação e colheita. E, na época da colheita, a secagem dos grãos é no verão amazônico.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rondônia consolidou a melhor produtividade de café no país, atingindo a marca histórica de 63,6 sacas por hectare na safra de 2026. Este desempenho supera amplamente estados tradicionais, como o Espírito Santo (47,9 sc/ha) e a Bahia (44,6 sc/ha), produtores das duas espécies, canéfora e arábica. Levando-se em consideração apenas a produção de cafés da espécie canéfora (única produzida em Rondônia), o estado tem a segunda maior média do país, atrás apenas do estado da Bahia.
Atualmente, Rondônia produz 85,9% mais por hectare do que a média dos produtores brasileiros, que é de 34,2 sacas por hectare. O café é a terceira cultura mais importante do agro do estado. Ao se comparar as regiões com indicação geográfica, a Matas de Rondônia é a que possui maior produtividade média. Segundo levantamento da Embrapa em 2024, a média já era de 68,5 sacas por hectare. Considerando a implantação de lavouras mais tecnológicas que iniciam a produção e do clima favorável, a expectativa é que, em 2026, supere a média de 70 sacas por hectare.
Rondônia responde por 75,4% da área plantada com café na Amazônia e por 93,8% do total produzido, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentro desse cenário, o sucesso do café das Matas de Rondônia tem um ingrediente especial: respeito à floresta. Um estudo inédito realizado pela Embrapa comprova a sustentabilidade da cafeicultura das Matas de Rondônia.
As lavouras de cafés Robustas Amazônicos sequestram 2,3 mais carbono (gás de efeito estufa que impulsiona o aquecimento global) do que emitem. Isso significa um saldo de carbono, retido nas lavouras de quase 4 toneladas por hectare.
Assim, a cultura se destaca como um modelo sustentável de produção familiar, aliada ao clima, provando que as famílias produzem com qualidade, respeitando a natureza.
- CONSERVAÇÃO: as propriedades de café na região preservam as matas nativas e, ainda, ajudam a recuperar áreas degradadas;
- SEQUESTRO DE CARBONO: as lavouras de café funcionam como miniflorestas ou ‘‘pulmões extras da floresta”, ajudando a limpar o ar e mantendo o clima fresco, ajudam, inclusive, a retirar o excesso de gás carbônico do ar (CO2), fortalecendo o combate ao aquecimento climático.
Para estimular a qualidade do café de Rondônia e a valorização da cadeia produtiva acontece nas Matas de Rondônia iniciativas que atraem o público nacional e internacional para conhecer melhor os Robustas Amazônicos. O Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café (Concafé), realizado pelo governo de Rondônia e que premia os melhores cafés do estado, com distribuição de prêmios por empresas privadas, passou em 2024 a ter em sua programação, a Feira Robustas Amazônicos, em parceria com a Cafeicultores Associados da Região da Amazônia (Caferon). O evento reúne expositores, produtores, investidores e apreciadores, anualmente, no município de Cacoal.
ROTA TURÍSTICA DO CAFÉ
O café também é turismo nas Matas de Rondônia. A Rota Turística do Café fortalece o turismo rural e promove a cultura cafeeira. A rota foi criada pelo governo de Rondônia, por meio da Lei n° 5.512, de 21 de dezembro de 2022. Inicialmente, a rota percorria os municípios de Cacoal, Nova Brasilândia d’Oeste, Alta Floresta d’Oeste e Alto Alegre dos Parecis. Em janeiro de 2025, o governo de Rondônia, por meio da Lei n° 5.958, acrescentou mais municípios à rota, que atualmente passa por Alta Floresta d’Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Alvorada d’Oeste, Cacoal, Castanheiras, Espigão do Oeste, Ministro Andreazza, Nova Brasilândia d’Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Primavera de Rondônia, Rolim de Moura, Santa Luzia d’Oeste, São Felipe d’Oeste, São Miguel do Guaporé e Seringueiras. Contemplando todos os municípios da região Matas de Rondônia na Rota Turística.