TCE e MP de olho: Prefeituras de Rondônia Pagam até R$ 350 Mil por Shows de JADS e JADSON em Meio a Buracos na Infraestrutura e Filas na Saúde
Enquanto a população do interior de Rondônia enfrenta rodovias estaduais esburacadas, postos de saúde desabastecidos e carências severas na educação básica, as prefeituras rondonienses parecem viver em uma realidade paralela de pura ostentação.
Uma recente apuração no Diário Oficial dos Municípios do Estado revela que o cachê da renomada dupla sertaneja Jads & Jadson virou o novo item de consumo de luxo dos prefeitos da região. Cidades de pequeno porte desembolsam valores que variam entre R$ 300.000,00 e R$ 350.000,00 por uma única apresentação de 90 minutos.
Os dados oficiais são alarmantes. O município de Chupinguaia por exemplo, contratou a dupla por R$ 350 mil via Inexigibilidade de Licitação nº 50/2026 para uma apresentação no pátio da prefeitura. Paralelamente, prefeituras como Cujubim (Termo de Fomento nº 007/2026 - custeado em cooperação mútua com recursos de emendas parlamentares para o evento: 14ª Expobim, Espigão d´Oeste (Café com Milho e 14º Pomerfest), além de Ji-Paraná (contrato nº 116/FUND. CULTURAL/2025 via Inexigibilidade de Licitação nº 046/2025) e Arraial Municipal de Itapuã do Oeste (Arraial Municipal de Itapuã do Oeste) também garantiram apresentações da mesma turnê nacional, utilizando-se de convênios, parcerias ou emendas parlamentares federais e estaduais para subsidiar os eventos.
PRIORIDADES INVERTIDAS E O FANTASMA DO NORDESTE
O cenário em Rondônia é idêntico ao emblemático fenômeno que tomou conta do Nordeste brasileiro há poucos anos, quando o Ministério Público e o Poder Judiciário decidiram intervir firmemente. Naquela ocasião, shows de grandes artistas — como o cantor Wesley Safadão — foram sumariamente cancelados pela Justiça em municípios que haviam decretado estado de emergência sanitária ou financeira, mas continuavam pagando cachês astronômicos com dinheiro público.
Aa despesas consolidadas com os shows da dupla em Rondônia superam os 1,5 mi de reais e servem como um alerta para os prefeitos rondonienses, de que o investimento em lazer não pode sufocar direitos fundamentais e prioritários. Como justificar uma dotação orçamentária de centenas de milhares de reais para fogos de artifício e palcos se a ambulância local não tem combustível e as escolas rurais sofrem com a falta de saneamento básico e merenda de qualidade?
Segundo as informações apuradas pelo site RONDONIATOP o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) e o Ministério Público Estadual estão atentos a esse festival de gastos artísticos e seguirão a postura firme para exigir que o dinheiro do contribuinte rondoniense seja aplicado, primeiro, na dignidade do cidadão.